segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Trail run pelos caminhos dos 5 empenos

Em Março passado, na última edição dos 5 empenos falou-se em tom de brincadeira de se fazer uma edição dos 5 empenos a correr. Se na altura o tom era de brincadeira, agora já não parece uma coisa tão distante. No sábado passado, aproveitando as tréguas da chuva, propus-me a fazer pelo menos metade dos 5 empenos (a correr) para ver como era. Como só decidi a coisa na noite anterior foi complicado arranjar companhia. Andar sozinho (a correr ou de bike) nunca foi impedimento para nada e desta vez assim foi. Sábado depois de almoço lá parti em busca do centro geodésico de Portugal. Os primeiros quilómetros são invariavelmente a subir, pois a Sertã fica num vale, e levaram-me ao Montinho e depois ao Outeiro das Colheres. Por esta altura os caminhos florestais estão bem engraçados, cobertos de caruma, e um manto castanho e fofo estende-se à nossa frente. Assim fui andando até Vaquinhas e depois à ponte da Valada.




Daí subi a serra da Longra e depois desci até ao Marmeleiro. Continuei a descida até à Azinheira onde depois entrei no single que proporciona 2 quilómetros de prazer, quer pela envolvência quer pela diversidade de pisos em tão pouco tempo. Passada a ponte para o lado de lá continuei durante mais 4 quilómetros pelo single do Bostelim que curiosamente me levou à praia fluvial do Bostelim. Depois de saltar durante algum tempo na pedras dentro da ribeira (ainda seca) comecei a subir até à Relva. Até ao fim separavam-me 5 quilómetros bastante duros, não pela técnica, mas pela inclinação. Aos poucos o pinoco que marca o centro geodésico do país ia-se aproximando, mas devagar. A subida é atenuada pela paisagem que nos é proporcionada. São montes e vales que se entendem à nossa frente, qual manta de retalhos onde a sombra proporcionada pelas nuvens ajuda ao efeito final.




Chegado quase ao final, faltava a última inclinação. São 200 metros quase a pique que fazem com que se chegue ao fim a arfar, mas com a sensação de alegria e de mais um desafio cumprido. No final foram 25 quilómetros com um acumulado positivo de 1288 metros e negativo de 931 metros e um corpinho cheio de boas sensações.


Para a próxima já espero ter companhia, e quem sabe se antes da edição anual dos 5 empenos de bike (no já habitual último sábado de Março) não haverá uma (ainda que mais curta +/- 50 km) a correr, isso é que era. Há voluntários?

domingo, 14 de outubro de 2012

Foz do Cobrão

Há já algum tempo que tinha falado ao João de um percurso na Foz do Cobrão, uma das várias aldeias de xisto existentes, que me parecia excelente para uma corridinha. Há já alguns anos havia por lá passado de bike com o Nuno e o Filipe aquando da preparação para o Geo-raid. Logo nos primeiros metros reparámos ser impossível fazê-lo de bike e como nenhum de nós corria na altura (acho eu) deixámo-lo para fazer a pé numa outra altura.


O João que está sempre pronto para correr e descobrir sítios novos disse logo que sim. Ontem foi esse dia. Combinámos de manhã, sem ser cedo demais e lá nos fizemos primeiro à estrada e depois aos trilhos. Depois dos preparativos arrancámos. Ontem era dos dias em que estava mesmo com vontade de andar por aí aos saltos de pedra em pedra. E assim foi. Os primeiros metros foram a descer mas logo depois entrámos no trilho. Este trilho segue durante alguns quilómetros numa das encostas do rio Ocreza levando-nos quase até às portas do Almourão. Um cenário lindíssimo que parece proporcionar-nos a entrada numa outra dimensão. Esta parte inicial é fantástica. Muito técnica, obrigando a uma constante atenção ao sítio onde se coloca os pés. É um sobe e desce constante e apesar de nos pôr ofegantes, nem sequer reparamos nisso devido à diversão que nos proporciona. Rochas por todo o lado, pedras soltas e vegetação que nos abraça, tornam este, um verdadeiro trilho de trail. É impossível não gostar de se correr por ali.





Depois desses primeiros quilómetros, entramos no típico caminho florestal, muito menos interessante, mas com uma envolvência soberba. Somos acompanhados durante os quilómetros seguintes pela serra das Talhadas que nos olha sobranceira. Começa aqui a principal subida do dia. São 5 quilómetros sempre a subir que nos levam dos 142 aos 444 metros, o ponto mais alto da nossa corrida. Desse ponto até ao final, foi quase sempre a descer ou a direito sem grandes subidas. O caminho que acompanha um riacho durante algum tempo, levou-nos de volta ao início perfazendo a volta um total de quase 10 quilómetros. Ficámos com a impressão que nos tínhamos enganado em algum sítio, ou então é outro dos muitos percursos marcados que por ali há. Quando voltámos ao início resolvemos começar tudo de novo e continuar a diversão. Foram 19 quilómetros de puro prazer e diversão com 1007 metros de acumulado positivo, 997 negativo em 2.08 h onde ainda houve tempo para umas fotos e um filme só para dar ideia da parte inicial. Ficou prometido o regresso para explorar tudo o resto que por ali há. E há lá tanto.



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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

GTSA 2012 – grande trail serra d’arga


O fim-de-semana chegou mais cedo, ao mesmo tempo do Nuno, da Paula, do Francisco e do António. O destino era Caminha, mas o caminho levou-nos ao Porto e a caminha teve que esperar. A gastronomia também esteve presente onde se incluiu o bom vinho ou não se estivesse na presença do clã corga da chã. A quinta-feira prolongou-se e a sexta-feira chegou tarde. Depois do almoço e de uns mergulhos na piscina, o Nuno, excelente anfitrião, mostrou-me as redondezas onde passámos pela praia de Afife e demos um salto a Viana do Castelo visitar o Miguel e conhecer o LIZ. Depois de uma retemperadora guiness regressámos a casa onde a Maria, o Rui e a Sra. Cecília nos esperavam.




No sábado de manhã acontecia o trail jovem onde iriam participar o Francisco e o António. A manhã não podia ter corrido melhor, o António ficou em primeiro no seu escalão e o Francisco em segundo nos mais velhos. O circuito era fechado e foi uma delícia para nós podermos acompanhá-los de perto durante a corrida. A sua prestação deixou-nos a todos orgulhosos (principalmente aos pais). Foi bonito ver o entusiasmo do António, já o Francisco do alto dos seus 14 anos encarou a coisa de forma muito mais tranquila. Seguiu-se a entrega de prémios com o Carlos Sá a chamar os miúdos ao pódio que puderam receber os troféus das mãos de nomes como o Marco Olmo, Armando Teixeira e Susana Simões. A falta de vedetismo e a simplicidade que os caracteriza é o que mais admiro. Sempre prontos a tirar uma fotografia ou a dar dois dedos de conversa com “os comuns mortais”. É impossível não os admirar.
A manhã terminou com uma volta pelo centro de Caminha a saborear uma nata (especialidade local) e um café.
Na parte da tarde, depois do encontro com o Pedro, o Filipe, o Nuno Gravito o João e a Natércia, iniciaram-se as jornadas técnicas onde pudemos assistir a palestras bem interessantes por parte do Carlos Sá, de Marco Olmo, do ultraman Antônio Teixeira e do doutor Pedro Amorim.
Ainda houve tempo para uma fotografia de família com a Analice que além de um exemplo a seguir, se revelou um doce de senhora.


Depois do jantar ainda recebi um telefonema do Alex, que sem saber bem como, tinha acabado por ir parar ao hotel oficial da prova. Foi o fim-de-semana de todos os encontros. No dia anterior tínhamos passado pelo Sargento Domingos que se deslocava de bike do Porto até Finisterra.
Depois de tudo preparado para o dia seguinte fomos dormir. Eu partilhei o quarto com os campeões, como motivação para o dia seguinte. Já o Nuno (o Mourinho do trail), tinha alguma dificuldade em caber no mesmo quarto com o seu ego e enorme orgulho que sentia pelos seus queridos pupilos, e bem merece esse mérito, acrescento eu, porque além de bom treinador é excelente pai.
O dia seguinte começou ainda de noite. Após o pequeno-almoço fomos buscar o Filipe ao hotel. À porta estava o Alex que tinha madrugado, especialmente para nos dar um abraço e desejar boa sorte, é o maior. A chegada a Dem foi rápida, ou assim me pareceu. Lá encontrámo-nos com o Pedro e o Gravito que nos esperavam. Os preparativos foram rápidos para o Nuno o Pedro e o Filipe que sairiam à oitava badalada do sino da igreja para os 42 quilómetros. Eu e o Gravito íamos aos 21 cuja partida seria duas horas depois e aproveitámos para ver sair os dos 42 quilómetros.



Ao oitavo toque, 42 quilómetros e com um acumulado de 5000 metros no total separava todos os participantes do regresso a Dem. Eu e o Gravito voltámos ao carro fazer os últimos preparativos para a nossa corrida e pudemos ver o que nos esperava. A imponente serra d’Arga olhava-nos de cima. Podíamos ver uma mistura de cores que se deslocavam serra acima. Iriamos passar também por ali, uma vez que o percurso dos 21 era comum ao dos 42 quilómetros. Entretanto ainda cravei uns alfinetes à Ana Azevedo que me deram um jeitão. Obrigado Ana.
A nossa partida foi às 10. A primeira subida foi brutal. Talvez por estarmos ainda frios, foi o que mais me custou na corrida. A primeira parte com pendentes acima dos 20% e a segunda acima dos 30%. Como estavam todos frescos, ninguém queria ficar para trás. Apesar disso a segunda parte da subida foi feita quase sempre a caminhar. Lá em cima o primeiro reforço líquido. Bebi 2 copos de água e segui. Na descida ao contrário do que é habitual, senti-me muito bem e passei bastante gente. Gostei de saltar de pedra em pedra naquela calçada. Foi quase sempre a descer até ao abastecimento seguinte também ele de líquidos. Bebi mais qualquer coisa e segui caminho abaixo. Pouco depois encontrei a Paula e o Francisco que seguiam no mini trail com a Maria e o Rui. Ainda me acompanharam um bocadinho na descida para dar força. Pouco depois voltava-se a subir. Uma subida um pouco complicada acompanhada de bastante água o que a tornava um pouco escorregadia. 




O mosteiro de S. João d’Arga aguardava-nos com mais um reforço sólido e líquido. Mais um sobe e desce que terminava num estradão, onde aproveitei para trocar umas palavras com a Glória Serrazina enquanto terminávamos a dita. Mais uma descida a saltar de pedra em pedra. Mais uma vez gostei bastante. Ainda passei por um bttista que apesar da roda 29 tinha que seguir com ela à mão tal a dificuldade técnica do terreno. Mais à frente, outro reforço. Este também com comida. A seguir passámos por uma aldeia que nos levou até ao rio. Entrámos na parte mais bonita mas também mais técnica. A parte das cascatas era tão deslumbrante como escorregadia. A subida até à aldeia de S. Lourenço da Montaria foi quase uma escalada por meio de rochas e lama, mas confesso que gostei bastante, talvez por ser completamente diferente do que estou habituado. Ainda fui ao chão mas felizmente não me magoei, contudo devo ter atingido aqui a velocidade máxima da corrida. Depois de uma passagem em alcatrão, seguia-se ao longo de bonitas levadas de água tão límpida quanto fresca. 




Os últimos 2 quilómetros foram feitos em alcatrão até à meta onde o João e a Natércia me esperavam tendo já acabado a sua prova. Pouco depois chegou o Nuno Gravito e por ali nos mantivemos algum tempo a ver chegar os restantes atletas. Regressámos a Dem a tempo de ver chegar o Pedro que fez uma prova excelente, o Filipe que também esteve em grande e o Nuno que às voltas com dores de estômago fez uma corrida sofrida mas sem desistir. Os verdadeiros campeões são assim. Pelo menos teve direito a uma das chegadas mais ruidosas do dia.
Após uma cerveja preta sentiu-se muito melhor e ganhou força para o banho. Antes disso ainda tinha encontrado a Paula e o Leonel que também por lá passaram e aproveitámos para por a conversa em dia.
O regresso a casa foi tarde, de forma a aproveitar ao máximo o excelente fim-de-semana.
Um grande, grande obrigado ao Nuno e à sua família pela forma como me receberam fazendo-me sentir como se fizesse parte dela.
Para finalizar, a minha opinião sobre o grande trail serra d’arga 2012. É muito fácil fazer uma crítica a esta corrida. A organização esteve perfeita. As jornadas técnicas correram muito bem. As marcações da corrida, excelentes. Quanto aos reforços, o que dizer; nem sequer era preciso levar nada connosco. Havia quase um reforço a cada 5 quilómetros. O Carlos Sá sabe bem o que faz e isso notou-se bem. Um abraço de parabéns por uma organização irrepreensível. 
Em 2013 lá estarei novamente.


* as fotos são do Nuno, do Alex e as outras "roubadas" da net, uma vez que a minha máquina foi de férias para Abrantes.