domingo, 13 de março de 2011

Here we go again

Ora bem cá vamos nós outra vez.

A quinta vez dos cinco empenos. Mais uma vez no último sábado de Março (o da mudança da hora) cá nos encontramos. Desta feita vai ser a 26 e como de costume aberto a quem quiser aparecer. Basta avisar. No final há banho para todos e jantar.

Como esta é a quinta edição, pensei em proporcionar aos meus amigos uns empenos diferentes, até porque já praticamente todos eles conhecem o caminho de trás para a frente, bem, quase todos. O Alex ainda faz confusão com algumas subidas.

Assim sendo pensei desta vez ir para o lado oposto. Iríamos subir a serra das Corgas e depois o picoto Rainho. Duas serras para subir, sendo que o topo da última fica a 1100 metros de altura. Suspeitava que o percurso idealizado não seria muito fácil. Também não tinha a certeza se seria todo ciclável. Por isso mesmo fui experimentá-lo ontem. O tempo estava instável. Mas quando saí de casa estava sol. Claro que pouco tempo depois estava a levar com chuvinha no lombo, mas fazer o quê? Alguns enganos e consequente procura de outras opções, mas nada de preocupante. Preocupante mesmo, só os 50 quilómetros de subida.

A história resume-se basicamente da seguinte forma; já há algum tempo que não apanhava um empeno tão grande. Daqueles que cada curva no GPS para o sentido contrário ao do topo era uma dor de cabeça. A juntar a isso há lá pelo meio umas inclinações muito pouco simpáticas. Quando finalmente cheguei lá acima, o nevoeiro cerradíssimo não deixava ver um palmo à frente, mas como era a subir também não era preocupante. A juntar a isso a chuva e o vento gelado.

Os restantes quilómetros seriam quase sempre a descer, mas quando se está empenado, custa de qualquer forma.

Mas também passei por sítios bem bonitos. Entre várias pontes, o percurso passa por um pátio duma casa e diversos carreiros, ribeiras e açudes.

No total são quase 80 quilómetros, sendo que os primeiros 50 (quase sempre a subir) apresentam o bonito número de 2200 metros de acumulado.

Deixo-vos então com os números e com algumas fotos do que vamos apanhar pelo caminho.

Há também um livro comemorativo das edições anteriores. Não sei se cá estará dia 26, mas partilho aqui o link para que possam visualizá-lo.

Até dia 26 (às 9.30).
















livro - cinco empenos (2007-2010)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sierra da Gata (parte 2)

2º episódio da trilogia na Gata. Depois da extraordinária primeira parte, as expectativas eram muito altas, o que poderia dar origem a desilusão. Mas não foi assim. Esta 2ª parte foi a quase todos os níveis diferente da primeira, mas igualmente memorável.

Desta vez, entre os outros companheiros albicastrenses, iria contar com a companhia do sargento Domingos. Para nós a festa iria começar um dia antes, e assim foi.

Vindos da capital e da Sertã, encontrámo-nos em Castelo Branco. Depois de jantar, dirigimo-nos à aldeia de Aranhas onde iríamos passar a noite, sim, porque dormir não seria a palavra certa.





 
 Acabámos por ir a Penamacor botar gasóleo na máquina do D. que entretanto havia chegado à reserva.

E já que lá estávamos... Não foi fácil escolher o local de poiso na movimentada noite penamacorense. O café central com caraoque e “mines” a 60 cêntimos pareceu-nos a melhor opção. É certo que era a única, mas ainda assim a melhor. Como a noite estava fortíssima acabámos por chegar a casa por volta das duas. Uma vizinha do alto dos seus 82 anos, havia-nos prometido um chá quentinho quando chegássemos. Àquela hora nunca imaginámos que ainda se encontrasse acordada. Mas encontrava. Lá terminámos a beber chá e a comer bolos até às 3 e tal da matina. Com o despertar marcado para as 6.30 e “meia dúzia” de quilómetros para fazer daí a umas horas, o panorama não seria o mais animador, mas não foi com esse espírito que fomos dormir.

Costumo acordar já bastante depois de me ter levantado. Desta vez acordei antes. Para aí no dia anterior. Ouvi o relógio da torre bater todas as horas. O D. volta e meia, marcava os quartos de hora. Confesso que quando me levantei de manhã, a vontade que tinha de o fazer era pouco mais que zero. Mas fazer o quê, tinha que ser, e como tinha que ser, foi mesmo.





 
Desta vez a partida foi de Hojos. O António havia prometido muita pedra e paisagens deslumbrantes. Desta vez começamos pelo início. E o início foi com alguma água que corria entre verdes e estreitos carreiros. A lama também se encontrava por lá. Desconfio que o António fez de propósito só para o Tiago sujar logo a bike no início.

Partimos em direcção a Villasbuenas de Gata. Depois começamos a subida por caminhos de terra, cujo piso, curiosamente, muito se assemelhava ao daqui. Começaram aqui os primeiros assaltos do dia. O D. ia distribuindo fruta (no verdadeiro sentido da expressão) por todos. É claro que nunca lhes disse que a fruta era deles, mas se não aceitaram foi porque não quiseram.
 




 
A partir da Aldeia de Gata, começou a subida do dia. Acho que se pode denominar mesmo de “A SUBIDA”. 5 quilómetros a subir até Puerto de Castilla numa calçada romana muito irregular. A compensar, a vista e as cores. A espaços, a mistura de tons da vegetação era soberba. Não cheguei lá acima sem cair, vá lá, tombei. Mas não fui o único. Já não consigo ir à Gata sem vir de lá com um joelho esfolado.

Em seguida e depois de um sobe e desce constante, daqueles que as pernas gostam começámos só um sobe até ao Pico Jálama. A partir daí foi pedra. E paisagens de encher o olho. Seguiram a par durante vários quilómetros, assim como nós. Parar era obrigatório para admirar tão sublime paisagem. Nem os olhos conseguiam alcançar tudo.
 




 
Daí até ao final, coisas estranhas aconteceram. O ciclo computador do Silvério apanhou um caminho alternativo e foi-se embora mais cedo. Já o António deu conta que lhe haviam roubado uma sandocha de queijo da Serra. Não quis aceitar metade da do Luís, porque ao que parece tinha couve. Fiquei-me eu a rir. Aquele presunto soube-me pela vida. Fui até ao fim com o gostinho na boca. Lições a tirar; manter os ciclo computadores debaixo de olho (principalmente os que não ficam quietos) e não levar petiscos para o monte.
 





Para terminar, deixo um agradecimento a todos pelo excelente dia (claro que a vontade de pedalar, regressou com as primeiras pedaladas), pelo companheirismo e boa disposição. Um especial ao António que continua a ser o principal culpado por estes dias excelentes.
Parafraseando o mesmo deixo aqui o que resume tudo isto “como é possível não gostar de andar de bike”. Pois, assim é impossível, acrescento eu.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

outra vez o Trevim

Com o devido atraso, mas cá vai.

Há já algum tempo, que o Alex havia falado numa reedição do segundo capítulo, que consistia na subida ao Trevim, mais concretamente a Santo António das Neves. Desta feita, a viagem seria um pouco mais pequena uma vez que o início seria na bonita aldeia de Xisto de Pedrogão Pequeno (onde moro), e não na Sertã como da última vez. Desta feita fomos exactamente os mesmos, eu o Alex e o Bruno.

Após os últimos preparativos e quando nos preparávamos para partir, reparo que tinha o pneu vazio, minutos após o ter enchido. Soluções; pôr uma câmara, mais langonha ou encher outra vez o pneu e esperar que a langonha fechasse o furo. Opção escolhida –a última, que dava menos trabalho. Como é óbvio, a pior, como se viria a revelar ao longo do dia.

Lá seguimos em direcção a Pedrogão Grande, do outro lado do rio. A travessia, fez-se pela antiga ponte filipina que fica bem no fundo de uma íngreme calçada. Logo a seguir esperava-nos algo de muito semelhante até lá acima. Logo aí já deu para fazer o aquecimento para a ascensão que nos esperava e que seria até aos 1200 metros.





A passagem pelo centro de Pedrogão Grande foi rápida. A nossa entrada na terra foi precedida de um cruzamento com uma placa indicativa de Senhora dos Aflitos. Esperávamos que isso não fosse um mau presságio. Desta vez, o caminho seguiu sem sobressaltos, e sem enganos. Claro que de tempo a tempo tínhamos de fazer uma paragem forçada para encher o meu pneu. Pôr uma câmara-de-ar? Não, que trabalheira.
Nas Derreadas Cimeiras, fizemos o último abastecimento líquido, porque depois só na Mega Fundeira (já depois de subir e descer a serra).
Da última vez que lá tínhamos passado, uns putos (com quem tínhamos trocado dois dedos de conversa) ao dizermos por onde íamos responderam-nos, -por aí???? De facto tinham razão, aquilo sobe a sério. De repente aparece-nos um tipo de parede para transpor, daquelas que antes de começar já só nos faz pensar na avozinha.
Curiosamente encontrámos dois putos no mesmo local, já mais velhos. Se seriam os mesmos? Não sei, mas gosto de pensar que sim.
Até lá acima a coisa correu sem incidentes de maior, tirando obviamente o facto das paragens forçadas para encher o pneu (pois, pôr uma câmara estava fora de questão… dava trabalho)





 
Após uma ou outra fotografia pelo caminho (e encher o pneu) lá chegámos ao alto do Trevim e desta feita seguimos em direcção a Santo António das Neves, onde não tínhamos estado da última vez.
Nessa altura o caminho seguido, não foi o original, porque enquanto fiquei a tirar uma fotografia (sendo que eu é que tinha o gps) o Bruno e o Alex, seguiram pelo caminho que era a descer. Quando me apercebi disso, bem tentei apanhá-los mas só consegui cá no fundo porque haviam parado ao encontrar uma placa que dizia Góis. Nunca me esquecerei da cara deles quando lhes disse que estávamos fora do track.
Desta vez o caminho seguido foi o mesmo, porque o track que carreguei foi o do caminho feito na última vez e não o programado assim como o Alex. Mas como a força ainda abundava, estava tudo bem. Por enquanto.






Sendo o restante caminho com um pendente maioritariamente descendente não se anteviam grandes dificuldades até final, à excepção do meu pneu, que teimava em perder ar. Andávamos ali num jogo de teimosia, eu a ver se o gajo parava de perder ar e ele a ver se levava com uma câmara novinha. Sendo que estamos a falar de uma disputa, vá-lá confronto com um pneu, está tudo dito. Há dias assim.
Voltando atrás; o problema do restante caminho, centrou-se precisamente na palavra maioritariamente, ou seja, também havia umas subiditas lá pelo meio que acabariam por fazer a sua mossa. E que bem sabe ver o sofrimento dos outros, pelo menos a mim sabe. Claro que eu (com a quantidade de quilómetros pedalados desde o início do ano, ou a falta deles) também não ia melhor obviamente, mas não o mostrar, faz parte do jogo. A juntar a isso o pneu a perder ar, enfim.


Lá fomos então seguindo até à Mega Fundeira. Os últimos 20 quilómetros foram feitos sempre paralelamente ao rio, onde à bonita paisagem se juntavam umas subiditas mais feias, e claro o pneu a perder ar. Nessa altura fomos quase sempre a nado, pelo menos era onde os receptores de gps nos colocavam, dada a proximidade ao rio.
A chegada foi feita a subir e de que maneira, já que a minha casa fica mesmo no cimo da falésia junto ao rio. Maldição.
De qualquer forma, apesar de cansados chegámos inteiros. No que diz respeito ao meu pneu, a minha teimosia manteve-se até ao fim, sendo que eventualmente lá acabei por lhe fazer a vontade. Agora jaz ali ao lado completamente vazio.



Quanto ao Trevim, curiosamente este ano é possível que suba lá acima três vezes. Esta, a próxima, na ida de Pedrogão à Serra da Estrela passando por lá e pernoitando no Piódão e mais lá para o fim do ano no Geo-Raid da Lousã. É bem provável contar com a companhia destes dois excelentes seres que hoje me voltaram a acompanhar. Isso é que era bom.