quinta-feira, 10 de abril de 2008

Os 5 empenos

Um pequeno vídeo deste dia.



A pressa é inimiga da perfeição.
O dia queria-se perfeito e como a jornada era longa, o ritmo adoptado foi calmo e descontraído. Os empenos estavam à nossa espera e não iriam a lugar algum.
Partimos então à procura do 1º que nos levaria dos 200 aos quase 600 metros de altitude. A chegada lá acima foi rápida, a força nas pernas abundava bem como a conversa e a boa disposição.
1ª descida do dia, 1º furo, 1ª paragem (das várias que se lhe seguiriam).
O 2º empeno lá estava, uma subida menos longa do que a 1ª, mas mais íngreme e mais difícil. À medida que a inclinação aumentava, diminuía a conversa. Aos poucos lá se foi vencendo a dificuldade e já no topo enchemos os pulmões e a vista.
Seguia-se uma descida bem rápida em direcção ao que alguns chamaram de pelo menos meio empeno.
Paragem em mais uma das diversas fontes que foram aparecendo onde o Girão começou uma guerra com os travões que teimavam em segurá-lo nas subidas, o que não convém nada. Uns refrescaram-se com água, outros com “mines”.
Estávamos na aldeia do Marmeleiro.
Seguimos em direcção à aldeia da Azinheira onde infelizmente pudemos ver um grande número de fitas ainda do Transpinhal deixadas pela EscolaAventura. O dinheiro das inscrições não deve ter sido o suficiente para que fossem retiradas. Só deu para retirar as placas e as lonas de publicidade; porque será?
Também ainda não passou muito tempo, o Transpinhal foi só há 6 meses e como todos sabemos o tempo passa a correr.
Lamento os péssimos exemplos que se dão.
Adiante.
Uns quilómetros depois passámos num espectacular carreiro (muito técnico) sempre ao lado da ribeira da Isna onde a técnica individual foi preciosa.
Pouco depois segundo furo e mais uma paragem. Uns metros à frente, nova paragem (pipo da câmara anterior danificado).
A subida para a Cabeça do Poço fez-se sem incidentes, mas os travões do Girão teimavam em não dar tréguas. Enquanto 3 ou 4 estavam com o Girão, os outros avançaram uns metros até à fonte seguinte. Da porta ao lado surge então o Sr. Abílio para ver o que perturbava a calma habitual daquelas paragens. À pergunta – então o que se passa? Alguém respondeu – estamos a comer qualquer coisa. – Então se é para comer é ali na porta ao lado, a da minha adega. Alguém perguntou se podia ir chamar os outros. A resposta não se fez esperar – até 85 ainda chega.
Num ápice apareceu presunto, pão, queijo, enchidos e para ajudar a engolir, vinho e umas “mines”.
Com a chegada do pelotão foi a loucura. Parece que não comiam nada há 15 dias. Em 3 tempos esmifraram o stock de comida ao Sr. Abílio, o que o deixou de sorriso nos lábios. A genuína simpatia das pessoas por estas bandas é fabulosa. Ainda nos ofereceu uma garrafa de bagaceira velha para depois do jantar. O Rui como agradecimento deixou-lhe as luvas (e que falta lhe fizeram mais tarde) que o Sr. Abílio fez questão de pregar numa viga da adega como recordação.
Entretanto o Hernâni já havia iniciado o 3º empeno e perdeu o melhor da festa.
Com o bucho cheio esperava-se agora o efeito do vinho na ajuda da conquista do Centro Geodésico de Portugal.
O 3º empeno ou “a besta” é de longe o mais difícil porque é bastante longo, muito íngreme e muito técnico (com muita pedra solta que a juntar à inclinação, dificulta a progressão e de que maneira). Proporcional à dureza da subida, só a beleza do horizonte que pôde ser, devidamente contemplado já no topo.
São serras e serras a perder de vista rasgadas por carreiros que parecem levar-nos a todo o lado.
No topo, aguardava-nos o reforço no museu da geodesia.
Descansadas as pernas, retemperado o estômago e assinado o livro de presenças fizemo-nos ao caminho porque ainda havia que voltar à Sertã.
Logo na descida seguinte o Rui caiu e deu cabo das mãos (as luvas haviam ficado na Cabeça do Poço) e ficou um bocado dorido. O Luís Filipe (um amigo que foi ter connosco lá acima) trouxe o Rui até ao Centro de Saúde da Sertã. Lá seguimos em direcção à Fundada.
Mais um furo para a conta, já na descida para a ponte das Charcas, descida essa bem rápida com uma paisagem de encher o olho com a ribeira bem lá ao fundo.
Aproximávamo-nos do último empeno, o mais curto mas o mais íngreme. Um bom desafio para as pernas (com o acumular dos quilómetros teimavam em não ajudar) e para a técnica (a roda da frente não queria parar no chão). Passado este muro continuámos a subir durante mais uns quilómetros até à aldeia de Palhais. O por do sol acompanhou-nos nesta parte final – que regalo para a vista e para a alma.
Na última descida e consequente subida do dia, ainda deu para um saudável picanço com um jovem e o seu tractor que não gostou muito de se ver ultrapassado por tantas rodas.
O breu da noite recebeu-nos à chegada e após os banhos fomos jantar.
O Girão aproveitou para explicar a todos a situação do Samuel. Conseguimos 225 € e uma lindíssima bike oferecida pelo Jerónimo, que nos presenteou ainda com um momento de poesia ao contar-nos a história da Árvore Generosa, bem a propósito do espírito inerente a este passeio.
O fim do dia chegou depressa.
Foi um dia muito bem passado, com alguma dureza mas a beleza das paisagens que fomos encontrando obrigou a um ritmo descontraído.
Que bom é o btt assim. Com tantos amigos presentes não poderia ser de outra forma.
As saudades que deixou, essas vão-se matando por aí nos trilhos e para o ano na segunda edição dos 5 empenos.
Assim o espero.

Um agradecimento especial às meninas que nos acompanharam ao longo do dia (são umas queridas), ao Luís Filipe, à Câmara Municipal da Sertã pela oferta do seguro de acidentes pessoais, à Câmara Municipal de Vila de Rei pelo reforço oferecido, ao Sertanense pela cedência de um local para os banhos (de água quente), ao restaurante Ponte Velha pela habitual simpatia com que serviu estes cheios de fome e ao Sr. Abílio da Cabeça do Poço que nos abriu a porta de casa e nos deu o melhor que tinha. E que bem que soube.
Até à próxima.


































Irei colocar ainda mais fotos deste dia.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Os 5 empenos

Como o dia foi longo e cheio de estórias para contar, vou fazer este relato durante a semana e conto deixá-lo aqui na semana que vem. Deixo só algumas fotos para dar uma amostra do que foi este dia.
Éramos 16 participantes, poucos, mas bons. Divertimo-nos imenso durante todo o dia e ainda conseguimos juntar para o Samuel 225 € mais uma bike antiga restaurada (oferta do grande Jerónimo) para sortear em rifas a vender posteriormente na maratona de Alte (tarefa a cargo do Girão).


Da esquerda para a direita (Girão (Alfarelos), Rui (Alfarelos), José Andrade (Figueira da Foz), Paulo Ruivo (Abrantes), Domingos (Gaia), Jerónimo (Santo Tirso), eu (Sertã), Hernâni (Aveiro), Alex (Leiria), João (Vila Nova de Monsarros), Faísca (Vila Nova de Monsarros), João José (Abrantes), Nuno Gomes (Abrantes), Albino Metralha (Vila Nova de Monsarros), Valter (Aveiro) e Gilberto (Aveiro)).
As descidas eram bem rápidas.
O Faísca e o Alex.
O Rui e o Girão.
O João José.
Alex, Valter e eu.
Ao contrário das subidas.




O Nuno.

As duas mais lindas...


O Astérix (companheiro de aventuras dos Jerónimo)
Eu, o Jerónimo e o Girão.


O Alex e o Girão.

Um bonito single ao longo da ribeira.
Mais um dos diversos furos que nos acompanharam ao longo do dia.


A Chegada ao Centro Geodésico de Portugal.

O staff de apoio e reportagem.
Jerónimo e a sua "Árvore Generosa".

Até para a semana com o repor completo.

sexta-feira, 28 de março de 2008

É já amanhã

...que se realizarão os 5 empenos.
Já está tudo pronto, haja força nas pernas que a coisa faz-se.

O sobe e desce que nos irá acompanhar o dia todo.
O reforço lá em cima.
A ponte das Charcas.
No topo do 1º empeno.
O regresso.

Para a semana, hei-de passar por aqui para contar como foi.

quinta-feira, 20 de março de 2008

2º Raid AngarnaBtt

Perfeito. É a palavra que me ocorre para caracterizar este raid. Além de muito bem organizado, trouxe ideias novas que deveriam servir de exemplo a todas as organizações de eventos. Mas vou começar pelo início. A promoção foi muito bem feita. Todas as informações necessárias sobre o percurso foram disponibilizadas. Foi ainda feito um vídeo promocional sobre o evento. À semelhança do ano passado, uma percentagem do valor das inscrições é destinada a uma instituição. Além disso conseguiram ainda um grande número de brinquedos e roupas de criança para entregar a outra instituição, neste caso uma que acolhe jovens desfavorecidos.Houve ainda a inteligência da organização em limitar o evento a 200 participantes. Souberam resistir ao lucro fácil de mais uns euros para garantir que todos fossem recebidos em perfeitas condições, e assim aconteceu. Aplaudo de pé.

No que diz respeito ao raid propriamente dito, a recepção decorreu sem falhas. No estacionamento couberam todos e sem atropelos, tal como no levantamento dos frontais. A marcação esteve exemplar com fitas, sinais e cal. Não havia grande margem para enganos. Grande parte das fitas foram reaproveitadas da edição do ano anterior. Quando se fala tanto em reciclar, estes jovens fazem ainda melhor – reutilizam.
O reforço, com uns picas singulares, além do chouriço, queijo da Serra e pão, não passou despercebido, nem mesmo para aqueles que não paravam.

O percurso, durinho q.b. e com paisagens de encher o olho; então a passagem pelas hortas e pelo meio das casas… um must.
Banhos com condições magníficas e água quente, é verdade, água quente e sem fila de espera com a distribuição dos atletas pelos balneários feita de forma perfeita.

Para o almoço também não houve tempo de espera superior a dois ou três minutos e a fartura foi garantida. Enquanto chegaram pessoas, os grelhadores nunca pararam de trabalhar. Ainda tive oportunidade de provar a pinga destinada aos homens das febras, que segundo os mesmos era um bocadinho mais “especial” do que a do almoço. A simplicidade e simpatia daquelas pessoas é contagiante. Apeteceu-me ficar ali a tarde toda.

A mesa das sobremesas parecia a de um casamento, não faltava nada, nem diversidade nem quantidade.O sorteio dos prémios foi generoso (não comigo como é habitual) mas os Cagaréus ganharam novamente o prémio de maior equipa – éramos 17. Já o apetecido primeiro prémio (um leitão) foi para Leiria e ficou muito bem entregue ao Alex (pena é que já não deve sobrar nada para dia 29).

Pessoalmente o raid correu-me bem, não a nível da classificação, mas não caí e diverti-me bastante, pelo menos até começar o sofrimento, o que felizmente só aconteceu na parte final (esta paragem fez-se notar). Comecei talvez com um ritmo forte, não para o habitual, mas para a minha condição o que me levou a abrandar um pouco no final (também não tinha outro remédio – estava todo roto). Já não me lembrava da última vez que tinha utilizado a avozinha, mas desta vez tive que recorrer a ela por duas ou três vezes, é que existiam por lá uns cumes jeitosinhos. Contento-me com o facto de nunca ter desmontado (esta foi uma private joke). Como já referi adorei a passagem nos quintais e hortas, os singles existentes e os feitos de propósito, o passar quase dentro das casas das terriolas que iam aparecendo no caminho, mas especialmente o grande smile desenhado no chão antes da meta. Ainda consegui sorrir.
Fui o trigésimo nono a chegar após os 59 quilómetros e 3h 22m.

Findo o almoço, ainda tive oportunidade de trocar duas ou três palavras com o Faísca e o Metralha. Não deu para muito mais, mas se não for antes haverá tempo para mais no próximo dia 29 na Sertã.
Não podia deixar de falar no brinde oferecido neste raid – um pequeno pinheiro para plantar. Parece-me um brinde muito mais inteligente do que uma qualquer t-shirt e revela uma preocupação com o planeta que habitamos que é constantemente mal tratado. Muitas das vezes são os próprios “bttistas” a deitar para o chão o papel de uma barra pois como é de conhecimento comum o seu peso e volume excessivos provocam graves lesões nas costas (esses deviam ficar confinados às pocilgas onde chafurdam).

Mas voltando ao brinde, ainda que só sejam plantados dez ou vinte dos duzentos pinheiros oferecidos, já terá valido a pena. Uma palavra para esta iniciativa – brilhante. O meu irei plantá-lo num local onde o possa ver crescer e recordar de onde veio e quem mo deu.

Numa altura em que cada vez menos tenciono participar neste tipo de eventos organizados, este será certamente um a repetir. Todas as organizações deviam olhar para este exemplo, para aprender como organizar um evento sem falhas e ainda ajudar quem precisa. Os Angarnas certamente não poderão ir de férias à custa do raid, mas farão algo de bem mais importante com o dinheiro.

Não quero terminar sem o desejo de rápida recuperação do Cagaréu Eduardo que se aleijou gravemente durante este raid e permanece internado nos cuidados intensivos em Coimbra. A recuperação será certamente demorada mas cá estaremos todos para o ajudar.

Um grande abraço de melhoras.